Estátua a S. Nuno de Sta. Maria

ARQUITECTURA:
Pedro Martins e Filipe Russel
ESCULTURA:
Fernando Almeida
Localização:
Barcelos
Cliente:
Santa Casa da Misericordia de Barcelos
DATA:
2011-2012
ARQUITECTURA - ARRANJOS EXTERIORES

A intervenção ao nível dos arranjos exteriores tem como objectivo gerar espaço público e não apenas criar um pedestal tradicional à escultura. Aproveita-se a oportunidade da concepção da estátua a S. Nuno para qualificar um espaço já de si nobre e histórico como é o Largo do Apoio, pela introdução de elementos que propiciem autilização do jardim.
A intenção por detrás da proposta apresentada foi actuar de forma pontual e concisa, de modo a preservar os valores históricos, culturais e paisagísticos da área envolvente.
Tentamos acima de tudo uma integração fluída e singela, através da utilização do material local característico - o granito - e da dissolução dos volumes propostos na topografia existente.
A nível formal os arranjos arquitectónicos cingem-se a um percurso que nos leva até à estátua, através de uma rampa de muito baixa pendente, e a um espaço de fruição e contemplação desta e da envolvente. Este percurso é conseguido através do alinhamento de blocos de granito de 1,1m de aresta que se vão progressivamente multiplicando e transformando a sua textura, dando lugar a um espaço de forma rectangular com a presença de alguns volumes salientes que geram organização e leitura espacial.

ESCULTURA

São Nuno de Santa Maria é representado aqui, não como guerreiro ou santo, mas como um homem. Esta figura humanizada de S. Nuno dá destaque à sua obra humanitária, ao seu percurso de bondade e trabalho em prol de um mundo justo. É representado de cabeça baixa como se, apesar dos seus actos glórios, não merecesse olhar de frente a Deus ou ao Homem. As vestes encobrem todo o corpo, negando a ostentação de uma vida mundana, escondendo os ícones definidores de seu nome. Apresenta-se erguido, apoiado sobre um volume que prediz ser a espada, símbolo da sua eterna inquietude, mas que surge escondida, como que à espera do momento para novamente ser lançada no ar. Um único pormenor, a espada... a cruz, uma dicotomia entre o sagrado e o mundo material, dourada como se a luz divina estivesse presente.
Assim, esta representação assume-se não só como o retrato de São Nuno de Santa Maria, mas também como uma evocação aos seus actos em vida.
Um simples homem que unicamente sonhou com um mundo melhor... e que, mesmo enquanto santo, nunca deixou de ser Homem.